Porque, nos dias de hoje e instigados por alguns “loucos”, se ouvem cada vez mais vozes contra o Estado de Israel e contra os Judeus, porque é importante que as novas gerações conheçam a verdadeira história desse país e desse povo, porque é importante lutar contra o anti-semitismo que alastra de novo no mundo, resolvi fazer este artigo, que tem como objectivo demonstrar o direito inequívoco e indiscutível do Povo Judeu ao Estado de Israel, na Palestina. Porque a paz no Médio Oriente tão urgente e necessária, só será possível com a aceitação do Estado de Israel.
Esse direito não surgiu, como muitos pretendem, no séc. XX na sequência de acordos políticos, nem devido à consciência pesada dos europeus após a II Guerra Mundial e ao Holocausto. NÃO!!! O direito dos Judeus ao Estado de Israel tem 4000 anos de História.
Desde o ano 2000 a.C. até ao séc. XIX
A história do Povo Hebreu (mais tarde viria a ser chamado o Povo Judeu) começou no 2000 a.C., quando Abraão deixou Ur, na Mesopotâmia e foi viver para Canãa (hoje a Palestina). Depois de uma longa estadia no Egipto, de regresso a Canãa, os hebreus tornaram se sedentários. Com Saul deixaram de estar divididos em tribos e passaram a ser uma Nação, com uma capital e um governo. Com David e Salomão, o Reino de Israel transformou-se num próspero e poderoso Reino. No início, os hebreus eram essencialmente pastores e camponeses; mais tarde tornaram-se mercadores. Ao mesmo tempo que desenvolveram a agricultura, construíram habitações, ergueram cidades, também se tornaram um povo de guerreiros, pois naquela época as guerras eram constantes.
Após a morte de Salomão deu-se a divisão do Reino em dois: a Norte, Israel, a Sul Judá, cuja capital era Jerusalém. O Reino de Israel viria a desaparecer tempos mais tarde, sem deixar vestígios. O Reino de Judá (Judeia e depois Palestina) iria sobreviver até ao séc. II da nossa era, altura em que os Romanos ocupam a Judeia, destroem Jerusalém e matam uma grande parte dos judeus.
Tendo perdido a sua Pátria, que só voltarão a recuperar muitos séculos depois com o novo Estado de Israel, os judeus iniciam a Diáspora por todo o mundo. Mas, na Palestina ocupada por Romanos, Bizantinos, Árabes do Califa de Omar, Turcos Seljucidas, Cristãos, Egípcios, Mongóis, Turcos Otomanos e por último Ingleses, existirão sempre comunidades judaicas, que vivem lado a lado com as comunidades árabes.
Tendo o exílio na Babilónia como exemplo, os judeus mantiveram-se sempre unidos, formando comunidades próprias, com a sua cultura, religião e tradições. Mercadores, comerciantes, homens de negócios, usuários (ao contrário dos cristãos, eles podiam emprestar dinheiro a juros), tornaram-se ricos e prósperos, fundando importantes centros judaicos por todo o mundo. São importantes homens das Letras e das Ciências. Herdaram dos seus antepassados a capacidade, força e coragem para se organizarem, desenvolverem e resistirem a todo o tipo de perseguições de que foram sempre alvos. Mas, mantiveram sempre vivo o desejo de voltar à terra dos seus antepassados, a Palestina e de aí construírem uma nova Pátria.
Perseguidos devido à sua religião ou ao seu poder económico, pelos cristãos na Península Ibérica, obrigados a renunciar à sua religião, forçados a converterem-se ao cristianismo e mais tarde expulsos, acusados de provocarem a Peste Negra de 1348-49, na Europa, obrigados a viverem em ghettos, etc., etc., foram sempre “bodes expiatórios”. Os progroms na Rússia, no séc. XVIII (o que levou muitos judeus a emigrarem para a Palestina e para a América) e o crescente anti-semitismo na Europa do séc. XIX, deram origem ao Sionismo, movimento político que tinha por objectivo a criação de um novo Estado Judaico.
Os antecedentes do novo Estado de Israel
Apoiados e sustentados por diversas organizações, os primeiros colonos russos começaram a instalar-se na Palestina por volta de 1878. Pouco a pouco, judeus vindos de todo o mundo foram-se instalando na Palestina: compraram terras aos árabes, formaram comunidades agrícolas, os Kibutzs, cultivaram a terra, transformando o deserto em zonas férteis e produtivas.
Telavive é fundada em 1908. Antes da I Guerra Mundial, sob o domínio turco, já viviam na Palestina cerca de 100 mil judeus.
Durante a I Grande Guerra, para obterem o apoio dos judeus contra os turcos, os ingleses assinam, em 1917, a Declaração de Balfour, comprometendo-se a apoiarem um Estado Judaico na Palestina. No final desta Guerra, o império turco é desmantelado e a Palestina fica sob o domínio dos Ingleses. Estes praticam uma política de promessas tanto a judeus como a árabes, que é muito provavelmente uma das causas dos futuros conflitos e guerras entre estes dois povos.
Entretanto a emigração dos judeus para a Palestina é constante. Em 1929, os árabes insurgem se com isso e matam cerca de 130 judeus. Estes organizam a sua própria defesa.
Surgem também grupos de judeus mais radicais que defendiam que a única maneira de conseguirem um País era através da força. Os ingleses são alvo de diversos ataques terroristas.
A partir de 1933, com a subida de Hitler ao poder e o início das perseguições nazis aos judeus, a emigração aumenta. Pressionados pelos árabes, os ingleses publicam, em 1939 um Livro Branco, restringindo a entrada dos judeus na Palestina, e proibindo-os de comprarem terras.
Mas, apoiada pelas organizações sionistas, a emigração nunca cessa. O ambiente na Palestina entre árabes, judeus e ingleses torna-se cada vez mais violento, e estes últimos, acabam por entregar o problema da Palestina às Nações Unidas.
Enquanto isto, desde há muito que David Ben Gurion e outras personalidades se dedicavam à difícil tarefa de organizar económica e burocraticamente o novo Estado de Israel. A diversidade de etnias dos futuros israelitas e a ausência de uma língua comum eram apenas algumas dessas dificuldades.
Terminada a II Guerra Mundial e conhecidos os horrores do Holocausto, as Nações Unidas aprovam finalmente, em 1947, a divisão da Palestina em dois Estados: um Judaico, outro Árabe. Jerusalém fica com o estatuto de cidade internacional. É uma enorme vitória e alegria para os judeus.
Mas, os árabes opõem-se terminantemente a um Estado Judaico na Palestina. E desde logo se compreende que a Guerra é inevitável. Apesar das inúmeras tentativas de reconciliação, as atitudes extremistas de ambos os lados, apenas servem para aumentar o ódio entre estes 2 povos. Ainda sob o domínio dos ingleses, árabes e judeus lutam pela conquista de Jerusalém que acaba por ficar para os judeus.
Da criação de Israel até aos nossos dias
A 14 de Maio de 1948, é proclamado o Estado de Israel. Para os judeus tinha finalmente chegado o dia há tantos séculos esperado. A alegria e os festejos são enormes, mas de curta duração.
A liga Árabe, formada pela Síria, Líbano, Jordânia, Egipto e Iraque, ataca quase de imediato Israel, com o único objectivo de o destruir. Os Judeus que tinham vindo para a Palestina, cansados das perseguições de que foram sempre vítimas, em busca de um País (a que tinham todo o direito) e da Paz, foram obrigados a ir para a Guerra, a lutarem não se deixando destruir, impondo o seu direito de existirem, para sempre, na Palestina. Para o conseguirem contaram e contarão sempre com o apoio dos judeus de todo o Mundo.
Esta seria a primeira de uma série de guerras entre judeus e árabes. As suas consequências são pesadas para ambos os lados. Apesar de terem provado que o Estado de Israel tinha nascido para jamais ser destruído, os judeus perderam a parte “velha” de Jerusalém que ficou sob o domínio dos árabes, e foram proibidos de visitar os seus lugares religiosos. É só em 1967 que Israel consegue recuperar Jerusalém unificada. A Cisjordânia é anexada à Jordânia e cerca de 700 mil árabes, que tinham deixado a Palestina antes da guerra ter rebentado, transformam-se em refugiados, ficando a viver na Jordânia ou nos outros países árabes vizinhos em condições precárias, na sua maioria, em campos de refugiados. E, assim começa o problema dos palestinianos.
Terminada a guerra, muitos querem voltar às suas casas, mas Israel recusa, pois uma grande maioria, sempre semeou o ódio e o terror contra os judeus. Assim, apenas uma pequena parte regressa. As acções de guerrilha e terroristas levadas a cabo, contra Israel, por grupos palestinianos a partir dos países árabes vizinhos, levam aquele país a conquistar novos territórios, nomeadamente junto às fronteiras, não com o intuito de expansão territorial mas, sim, visando a defesa e segurança dos seus cidadãos, que eram sistematicamente atacados.
Muitos erros, barbaridades e chacinas foram cometidos por ambos os lados, ao longo destes anos. Mas, também, com o passar dos anos, vários países árabes aceitaram e reconheceram o direito de Israel a existir e foram celebrados acordos de paz que ainda hoje perduram.
O problema dos palestinianos foi sempre o mais difícil de resolver. Hoje em dia, uma maioria de judeus e os Governos israelitas, já aceitaram o direito dos Palestinianos a terem o seu próprio país. Prova disso são os Acordos de Oslo, a autonomia dada à Autoridade Palestiniana, a retirada da faixa de Gaza, o fim dos colonatos judeus na Cisjordânia, etc., etc. Este processo não foi pacifico nem fácil, pois tanto de um lado como do outro, há sempre extremistas que tudo fazem para impedir a Paz entre palestinianos e israelitas. E está longe de estar resolvido.
Quando se pensa que se está no bom caminho, surge algo que o torna mais complicado. É o caso recente do Hamas, que tendo formado Governo na Palestina, se recusa a aceitar a existência do Estado de Israel.
Será que a História não lhes ensinou nada? Não é negando a existência do Estado de Israel que vão conseguir um Estado Palestino. Só a aceitação de Israel e a Paz entre eles, podem dar origem a esse Estado.
Não querendo simplificar demasiado a História, nem fazer dos Judeus “Os Bons”, a verdade é que a própria história demonstra que foi a recusa dos árabes em aceitarem o Estado de Israel, uma das principais causas das guerras e conflitos ainda hoje existentes entre aqueles dois povos.
Com este artigo não pretendo negar o direito do Povo Palestiniano a um País, o qual desde já reconheço, mas sim demonstrar o direito do Povo Judeu ao Estado de Israel na Palestina, direito esse, ainda hoje tantas vezes contestado por radicais. Espero tê-lo conseguido.
Termino como não poderia deixar de ser, com
SHALOM ISRAEL!!!